NÃO À CULTURA DO ESTUPRO

Estou há dias querendo escrever sobre esse estupro coletivo da moça no Rio, mas ainda estou com tanta coisa engasgada que só consegui chegar até aqui, me falta ainda muito o que cuspir. Tudo isso é tão errado, tudo tão brutal, animalesco, tão sem sentido lógico ao ser humano que dizemos evoluído, mas que pelo visto ainda não saiu da Idade Média!

Seja no Brasil, seja em qualquer parte do mundo desenvolvido ou subdesenvolvido, o homem como animal não evoluiu! Podemos ter desenvolvido a filosofia, a sociologia, temos evolução tecnológica, mas o animal é o mesmo primata de sempre.

Agora falamos no estupro desta moça, mas não esqueçamos do número de casos de estupro que chegaram a nós da Índia! E o Boko Haram com quase 250 meninas sequestradas há mais de dois anos? E as mutilações em vários países mulçumanos?

Culturas muito subdesenvolvidas para compararmos? Então lembremos do austríaco que prendeu a filha em cativeiro por 24 anos e teve 7 filhos com ela? O americano que manteve 3 meninas em cativeiro por 11 anos? O casal de Cleveland que manteve uma menina em cativeiro sendo abusada pelo marido e alimentada pela esposa dele por 18 anos?

Eu, mulher, 49 anos, posso dizer que não conheço nem uma mulher que não tenha sido assediada. E não falo de cantadas baratas nas ruas, falo de situações de perigo eminente, seja na rua, na escola, no trabalho, em casa. Situações constrangedoras em que tivemos que dar um “chega prá lá” ou pedir ajuda a alguém porque o homem segue se valendo da sua superioridade de força física.

E não posso contar nos dedos das mãos o número de mulheres que conheço em que as coisas chegaram às vias de fato, em que o estupro foi consumado.

E essas mulheres estão por aqui, convivendo com a gente em nosso dia-a-dia e mal sabemos o que passaram, ou passam. Algumas conseguem superar a violência e a humilhação com a ajuda de profissionais, ou com a crença em suas religiões, ou com o apoio de amigos e familiares. A maioria segue calada, guardam sua dor, sua vergonha, seu trauma que são refletidos em insônias, pesadelos, problemas de relacionamento, disfunção sexual, e o pior de todos, culpa, já que por mais incrível que pareça, ter um buraco entre as pernas é motivo suficiente para algumas pessoas culparem a mulher do seu próprio estupro!

Agora falamos do estupro dessa moça, como falamos quando soubemos da moça que morreu na Índia, mas você acha que isso vai mudar assim tão facilmente? Por mais que façamos campanhas, manifestações, etc.? Você acha que nossas vozes vão chegar lá nos confins do país ou onde ainda há famílias paupérrimas vendendo suas filhas ainda virgens como meio de subsistência? Quando patrões vão deixar de “visitar” o quarto das empregadas domésticas? Quando vão tirar as menores das zonas de meretrício? Quando vai acabar essa cultura do cabaço?

Não é não. Mesmo que quem o diga seja uma prostituta, ainda assim, é NÃO!

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