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INSTAURAÇÃO DO FEMINICÍDIO NO BRASIL EM PLENO 2017

Não quero entrar em detalhes em ser contra ou a favor do aborto em situações normais, sem risco, etc., pois este não é o ponto já que não busco a opinião alheia como tão pouco pretendo dar a minha. Em 1940 entrou no Código Penal a autorização do aborto em casos de estupro e risco para a vida da mãe. Em 2017…

Pois é, agora em 2017, ontem mesmo, o país está prestes a dar um dos maiores passos de retrocesso social e de saúde pública, além de científico, já que estão votando a proibição TOTAL do aborto: COMISSÃO DA CÂMARA APROVA REGRAS MAIS DURAS PARA ABORTO NO PAÍS.

Quando digo TOTAL, quer dizer isso mesmo: em qualquer situação física ou emocional da mulher.

O bebê corre risco de morrer? Então que morra dentro da barriga da mãe e ela que aguente até que entre em trabalho de parto para expelir o cadáver ou que sofra uma infecção generalizada em que sua vida, a da mãe, entra em sério risco de morte. Então que morra.

O bebê tem tipagem sanguínea discordante com a da mãe e AMBOS podem morrer? Não será permitido o aborto para salvar a vida da mãe, então que morram os dois.

A parturiente está grávida por causa de um estupro? Pois que carregue o bebê até que nasça e aí ela pode dar em adoção e passar mais um trauma, além do estupro, e ainda correndo sérios riscos de depressão ou pior: que morra.

É uma criança de 9, 10, 11 anos que foi abusada por um irmão, tio, estranho ou até mesmo seu próprio pai? Que siga em frente com a gravidez, e que, além do risco de nascer um bebê aberração e do trauma do estupro, existem dos perigos de uma gravidez a uma criança tão jovem, com o corpo provavelmente tão pequeno para carregar e, principalmente, dar a luz a um bebê. Então que morra.

Até entendo a proibição que já tínhamos no país de aborto por livre escolha, e não entro no mérito de se eu estava de acordo com isso ou não. Mas proibir o aborto em casos de traumas físicos e/ou mentais e de risco de morte para a mãe, é simplesmente promover o feminicídio. E assim incentivar a volta de proliferação de clínicas ilegais, de abortos feitos em desespero com arames, ou de mulheres cometendo o suicídio antes que morram pelo que o Estado está lhes impondo: uma morte lenta, que pode durar 9 meses de angústia e penúria.

Daqui a pouco seremos proibidas de votar. Depois de trabalhar. E aí então nos colocarão burkas e cintos de castidade, além de fazerem fogueiras para queimar algumas de nós em praça pública!

Mas se fosse o homem que engravidasse, o aborto seria como ir ao dentista tratar de uma cárie. Simples, rápido e com um bom anestésico.

E sabemos – por favor, que ninguém se faça de boçal e certinho agora – que na hora que um dos fatos acima narrados aconteça com uma filha ou irmã ou esposa de um dos que estão votando contra nós mulheres, eles farão na surdina, por debaixo dos panos, nos melhores hospitais do país pagando em “caixa 2” o melhor obstetra que existe.

O falso moralismo que reina nesta década me causa náuseas…

Espero que fique nisso e esta proposta NÃO passe no Senado!

FOLHA DE SÃO PAULO: COMISSÃO DA CÂMARA APROVA REGRAS MAIS DURAS PARA ABORTO NO PAÍS